Conheça os artistas do blues da velha guarda

Por Alex Fernandes

Quem são os artistas de blues antigos mais famosos? Se você curte esse gênero musical, deve conhecer alguns nomes populares. Mas o quanto você sabe sobre suas histórias e conquistas musicais? E que tal outros artistas importantíssimos, mas menos conhecidos do público geral?

Robert Johnson, um dos principais artistas de blues antigos, tocando violão
A lenda em torno de Robert Johnson se confunde com parte dos primórdios da história do blues (Reprodução/Internet)

Neste post, você vai descobrir tudo isso. A história do blues é cheia de trajetórias poderosas, com pessoas que quebraram barreiras e conquistaram o mundo.

O que é blues?

Existem algumas definições sobre o que é o blues. Primordialmente, na parte técnica, envolve uma progressão de acordes específica chamada twelve-bar, bem como as blue notes. São notas reproduzidas em um tom ligeiramente mais baixo do que o da maior escala da música, o que cria um som distinguível e melancólico. Abaixo, você aprende alguns ritmos para tocar blues:

Agora que estamos mais familiarizados com a pegada músical, precisamos pensar no aspecto social do blues. O próprio nome, em inglês, refere-se à melancolia e tristeza. Não é à toa, uma vez que o gênero nasceu entre os escravos durante seus trabalhos nas plantações, nos Estados Unidos. Com o tempo, os artistas trataram de muitos temas em suas músicas, mas o sentimentalismo sempre se fez presente.

Seja você um fã de longa data ou só alguém curioso, vale a pena conhecer os gênios aqui listados. Então, relaxe e continue aproveitando a leitura.

6 artistas de blues antigos para conhecer agora

Ainda que alguns dos artistas a seguir sejam bem famosos, o blues não é dos estilos mais conhecidos de forma geral. Portanto, essa lista foi desenvolvida com base não apenas na popularidade, mas no reconhecimento no meio musical e no legado deixado por cada um.

Aqui você vai encontrar os seguintes mestres do blues:

  • B. B. King;
  • Robert Johnson;
  • Muddy Waters;
  • Howlin’ Wolf;
  • John Lee Hooker;
  • Son House

B. B. King

De antemão, precisamos falar sobre o grande B. B. King. Considerado o maior astro do gênero, não é à toa que seu nome traz as iniciais para o apelido “Blues Boy”.

Além do sucesso como cantor e compositor, ele também é referência quando o assunto é guitarra. Tanto que foi inspiração de outros gigantes, como Jimi Hendrix e Eric Clapton! Todo seu poder nas cordas era exposto com suas diversas Lucille, nome que dava a todas as guitarras que possuía.

O mestre fez de tudo e foi reconhecido por isso. Recebeu uma Medalha Presidencial da Liberdade, a Medalha Nacional das Artes e inúmeros prêmios, incluindo quase 30 Grammys. Faleceu em 2015, deixando um legado imenso entre dezenas de álbums e centenas de singles. Veja o homem em ação com The Thrill Is Gone:

Robert Johnson

“Pai do blues”, “o músico de blues mais importante que já viveu”… Robert Johnson certamente merece esses e outros títulos de impacto. Sua carreira foi breve, toda nos anos 30, e ainda assim lhe rendeu reconhecimento até os dias atuais, inclusive como guitarrista. Afinal, ele é considerado o precursor dos doze compassos (twelve-bar, citado lá em cima).

Devido sua morte prematura — foi um dos primeiros músicos a entrar para o famigerado Clube dos 27 —, os maiores reconhecimentos de seus feitos foram póstumos. Ainda assim, sua influência foi enorme, de B.B. King a Eric Clapton.

Representante da variante do gênero, delta blues, Robert nos deixou de forma misteriosa: ninguém tem muita certeza sobre sua morte. Diz a lenda que ele “vendeu sua alma ao diabo em troca da proeza de tocar guitarra”. Suas músicas mais famosas colaboraram na disseminação do mito; dá uma olhada em Me And The Devil Blues e Crossroad Blues.

Muddy Waters

Os grandes fãs do blues talvez reconheçam esse ícone pela sua técnica na guitarra, característica pelo uso de braçadeira. Ou, talvez, pela sua voz potente, ou mesmo pelos inúmeros trabalhos com outros músicos importantíssimos da cena. Seja como for, Muddy Waters é indispensável.

Apesar de ser de Mississippi, lar do Delta Blues, Muddy Waters se mudou quando trocou o violão pela guitarra. Foi aí que ele inventou o que seria a formação clássica do Chicago Blues, tornando-se o pai dessa variação do gênero.

Caso você não seja especialista nesse ou em outros artistas de blues antigos não se preocupe. Ainda dá para reconhecer o impacto de Muddy com uma música só, que sintetiza seu estilo e o impacto que ele teve em gerações futuras. Estou falando de Mannish Boy, versão de Muddy para o clássico I’m A Man, do Bo Diddley:

Howlin’ Wolf

O Chicago Blues também teve outro expoente poderoso que até “competia” com Muddy, de forma saudável. Howlin’ Wolf era imponente na voz, na musicalidade e na própria presença. Sua figura era considerada até ameaçadora, em conjunto com a voz forte e ríspida.

Talvez por isso mesmo, bem como pelo seu estilo elétrico de tocar, ele se tornou uma grande referência do que seria o rock and roll. Toda sua história pode ser observada pela lente de suas músicas — essa leitura é bem interessante nesse sentido.

O jeito Howlin’ de fazer blues era mais experimental do que a maioria. Isso rendeu canções que variam de estilo significativamente. Você pode comparar dois grandes sucessos para ter uma ideia: Smokestack Lightnin e Back Door Man.

John Lee Hooker

Mais um natural de Mississippi e marco do Delta Blues, John Lee Hooker acumulou mais de cinco décadas de blues e inspiração. E foi muito trabalho durante esses anos: ele gravou cerca de 100 álbuns e 500 músicas!

John trouxe suas características notáveis ao boogie, um estilo dançante e animado do blues. Também ficou conhecido por incorporar o talking blues, que consiste em falas livres e nem sempre completas, com mais foco no ritmo das músicas.

Sua carreira lhe rendeu cinco Grammys, incluindo o “Lifetime Achievement Award”, no ano 2000. Confira Boom Boom e One Bourbon, One Scotch, One Beer para ver um dos mestres do blues em ação, em momentos distintos de sua história.

Son House

Por pouco, o mundo não conhece um grande nome do blues. Son House viveu anos extremamente devoto à igreja, inclusive como pastor. Na época, era comum que a música popular e a religião não se misturassem. Contudo, aos 25 anos “se converteu” para o blues, sem deixar tudo que aprendeu na igreja de lado.

O resultado foram músicas com letras diferentes da maioria, com mostras de sua fé. O início de sua carreira surtiu efeitos no público, inclusive fora das comunidades negras, como era comum. Porém, ele não soube disso por cerca de 20 anos. 

Foi só nos anos 60 que Son foi redescoberto e voltou a trabalhar com música, mesmo após ter influenciado gigantes como Muddy Waters, sem nem saber. Dá uma olhada no clássico Death Letter Blues, uma história trágica contada sem as motivações habituais de outros artistas:

Ainda faltam muitos outros artistas de blues antigos para completar essa lista imponente. Contudo, não dá para falar de todo mundo de uma só vez. Por enquanto, que tal compartilhar o post com aquele seu amigo que sempre quis saber mais sobre blues?