Artistas organizam virada cultural em escolas ocupadas de São Paulo

Por Damy Coelho

Criolo é um dos nomes confirmados para o festival

Nomes de peso da música, como Paulo Miklos, Maria Gadú, Criolo e Edgard Scandurra, do Ira!, se uniram para organizar uma Virada Cultural nas escolas ocupadas de São Paulo. A decisão mostra o apoio dos músicos aos alunos que protestam contra o fechamento de 90 escolas do estado de São Paulo. A notícia foi confirmada nesta terça-feira, pelos próprios músicos.

O festival é idealizado pela ONG Minha Sampa, que buscava uma forma de mostrar que a sociedade apoia os estudantes, professores e comunidades que estão ocupando as 194 escolas do estado. Paulo Miklos revelou, em entrevista para jornal Estado de S. Paulo, que o governo “não soube reagir democraticamente às demandas legítimas dos jovens. Nossa ideia é mostrar que a classe artística também apoia esse movimento”, afirmou.

Segundo a ONG, o festival acontece neste domingo (7), mas ainda não foi informado quais as escolas que receberão os shows. A informação será divulgada apenas na véspera dos eventos, para manter a segurança dos alunos.

Entenda o caso

O governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, aprovou recentemente um decreto que visa a fechar mais de 90 de escolas públicas do ensino médio, como planejamento de uma “nova organização escolar”, segundo o governo. Desde então, centenas de alunos ocupam diversas das escolas ameaçadas de fechamento para protestar contra o decreto e impedir que a decisão seja efetivada. A questão virou polêmica nacional, principalmente após a mídia noticiar que vários dos estudantes que ocuparam as escolas estão agindo em mutirões de limpeza e de reforma dos locais, enquanto outras escolas estão sendo depredadas. O governo diz que a ocupação, em parte, está violenta, já os estudantes afirmam que as ações vandalistas não partem dos alunos, mas sim de possíveis pessoas infiltradas para deslegitimar a ocupação.

Recentemente, o governador de São Paulo afirmou que está “aberto ao diálogo” com os estudantes, porém, confirmou que a reorganização escolar já foi feita.