Dia do Sertanejo: 7 músicas para comemorar, ouvir e tocar

Por Marina Costa

Eis uma data importante para o povo brasileiro: O Dia do Sertanejo, comemorado em 3 de maio. Em suma, hoje é dia de celebrar uma música marcada por toadas, modas e batuques, que deram origem à tradição que exalta a riqueza cultural do interior do país.

Homem sertanejo toca violão no campo
Aspectos da vida campestre sempre esteve presenta na música sertaneja (Foto/Pexels)

Uma viola, amigos, bebida e muita história pra contar. Esses famosos “causos” foi uma herança dos missionários jesuítas no século XVI. Em síntese, assim começou a história da música sertaneja.

Esse capítulo importantíssimo da cultura brasileira precisa ser lembrado e celebrado. Portanto, vem com a gente apreciar o Dia do Sertanejo, relembrando  a história e cultura musical do sertão! 

Qual a origem da música sertaneja?

A música sertaneja surgiu em 1910 pelas mãos do jornalista e escritor Cornélio Pires. Num primeiro momento, ele deu início aos fragmentos de canções tradicionais do sertão nordestino. Nesse sentido, o gênero ficou conhecido como “música caipira”, cujas letras evocavam o estilo de vida do sertão, bem como a beleza bucólica e romântica da paisagem indígena.

Cornélio Pires e músicos caipiras: essa combinação é fundamental para o Dia Sertanejo
Cornélio Pires (de terno) em meio aos caipiras que desbravaram a música sertaneja (Foto/Internet)

Embora essa tradição tenha surgido na região Nordeste, o termo sertanejo se estendeu a todo povo brasileiro que mora no campo, bem como, em cidades interioranas do país.

Trajetória sertaneja: dos causos caipiras aos temas empoderados!

Nesse sentido, o ritmo musical sertanejo tem seu início  marcado pela história de coragem, força, valentia e perseverança sobre as dificuldades do campo. Afinal, o povo do sertão tem “sangue no olho” e nunca desiste, mesmo se as circunstâncias forem desfavoráveis. 

Além de Cornélio Pires, Alvarenga e Ranchinho, Torres e Florêncio, Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Inezita Barroso, entre outros, lançaram as bases para os estilos posteriores.

Quando surgiu o Dia do Sertanejo?

O Dia do Sertanejo começou a ser comemorado em 3 de maio de 1964 — mais de 50 anos depois do surgimento do gênero —. Nesse sentido, é percebido que essa data é marcada pela oficialização de uma cultura musical que já existia com força e vigor há anos no país. 

A iniciativa partiu da Rádio Aparecida, que teve a intenção de homenagear os vários violeiros do sertão paulistano que frequentavam as missas. 

Logo, foi criado o “Show Sertanejo”. O marco da data foi apresentado pelo “Marechal da Música Sertaneja”, Geraldo Meireles, ao sugerir que os sertanejos de todo Brasil se encontrassem anualmente em Aparecida do Norte (SP).

As transformações da música sertaneja

Inicialmente, a música sertaneja era marcada por violas e duetos com segunda voz. Duplas como Tonico & Tinoco, Pena Branca e Xavantinho são ícones dessa fase do gênero. 

Tonico e Tinoco, no começo de carreira, uma dupla importante para celebrar o Dia do Sertanejo
Tonico e Tinoco: uma dupla ícone da música sertaneja raiz (Foto/Divulgação)

Essa tradição de segunda voz se perpetua até os dias atuais. Contudo, ao longo do tempo, algumas mudanças melódicas e temáticas — como a inserção de  novos instrumentos musicais — ocorreram. 

Nesse sentido, a fase de transição é definida entre o período pós-guerra (1945), até o ano de 1960, marcado pela incorporação do acordeão e da harpa ao gênero. Os principais destaques nesta fase são: Cascatinha e Inhana, Irmãs Galvão, Irmãs Castro, Sulino e, Limeira e Zezinha.

Sertanejo romântico, universitário e feminejo

No final dos anos 70, surgiu o sertanejo romântico. Essa fase foi cenário de grandes mudanças, incluindo migração do rural para o urbano, bem como a inserção da guitarra elétrica e do “ritmo jovem”. Nesse cenário, a dupla Léo Canhoto e Robertinho foi expoente.

Logo, a característica caipira foi sendo diluída, prevalecendo a temática afetiva. Assim sendo, as letras perderam um pouco do caráter tipicamente épico, lírico e satírico da raiz sertaneja. 

Marília Mendonça, canções de sucesso e formato live: três elementos da música sertaneja atual (Reprodução/YouTube)

A partir de então, o cenário testemunhou o surgimento de artistas como, Trio Parada Dura, Milionário & Zé Rico, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé & Luciano e de mais uma lista infinita. 

Zezé e Luciano: só as melhores músicas antigas

Com a força do sertanejo universitário, que surgiu em meados dos anos 90, o estilo passou a aglutinar elementos da música pop, funk, axé, bachata, entre outros. Em suma, temos Luan Santana, Gusttavo Lima, Marília Mendonça, Henrique e Juliano, Eduardo Costa, entre outros dando o tom nas paradas de sucesso.  

Críticos da literatura e da música procuram manter a temática do campo como característica do gênero. O fato é que, as novas vertentes não teriam surgido se não fosse o sertanejo raiz. De toda forma, hoje existem músicas para variados públicos.

7 músicas para comemorar o Dia do Sertanejo

E como não poderia ser diferente, o Dia do Sertanejo deve ser comemorado como muita música. Logo, confira agora as melhores canções e aprenda a tocar algumas obras de um dos estilos mais amados do Brasil.

1. Fio de Cabelo – Chitãozinho & Xororó

Fio de Cabelo é um single do álbum Somos Apaixonados, lançado em 1982. A canção foi composta por Darci Rossi e Marciano, e fez grande sucesso com Chitãozinho e Xororó.

Aprenda a tocar as melhores músicas de Chitãozinho & Xororó

Para tocar, são apenas 6 acordes, com capotraste na 1º casa. Veja também essa aula com uma opção para tocar a canção sem capo, que soa mais naturalmente:

2. Tocando em Frente – Almir Sater – um hino para cantar no Dia do Sertanejo

Tocando Em Frente foi composta por Almir Sater e Renato Teixeira em 1990. A inspiração veio durante um jantar entre os amigos, quando Almir pegou um violão e começou a fazer um som, enquanto Renato escrevia a letra.

Com apenas 4 acordes simples em tom de C, a canção fica incrível com o ritmo guarânia. Veja a aula completa:

3. Infiel – Marília Mendonça

Infiel é um hit de sucesso do álbum ao vivo de Marília Mendonça, lançado em 2016. A canção expressa bem o sertanejo moderno da cantora. 

Com 6 acordes, a canção pode ficar incrível com algumas passagens de fingerstyle. Veja a aula completa para ver os detalhes:

4. Batom de Cereja – Israel & Rodolffo

Lançada em fevereiro de 2021, Batom de Cereja é uma canção típica de sertanejo universitário. Assim sendo, essa música está no topo das mais tocadas no Brasil. 

Para tocar esse hit, você precisa de 5 acordes e do capotraste na 2º casa. Os acordes são, em sua maioria, bem simples, incluindo Am7, C9, Em7 e D2.

5. Na Hora de Amar – Gusttavo Lima

Na Hora de Amar é uma versão em português para Spending My Time, hit da dupla sueca Roxette. Gusttavo Lima regravou a canção em 2019, voltando a liderar o ranking das músicas mais escutadas. 

Top 10 sertanejo: confira as melhores músicas de Gusttavo Lima

Tecnicamente, é uma canção bastante trabalhosa. Logo, para tocar esse hit, você tocará 18 acordes complexos. Veja essa aula completa e aprenda todos os passos para executar a canção no violão!

6. Menino da Porteira – Sérgio Reis

Menino da Porteira é de autoria de Teddy Vieira e Luís Raimundo. Primeiramente, foi gravada pela sertaneja Luizinho e Limeira, em 1955. A notoriedade dessa canção, no entanto, veio com Sérgio Reis, que gravou a canção em 1976. 

Para tocar Menino da Porteira, você usará apenas 3 acordes, bastante simples. O ritmo é bem caipira, algo característico do sertanejo raiz. 

Veja essa aula completa e aprenda a tocar para comemorar o Dia do Sertanejo em grande estilo:

7. Moreninha Linda – Tonico e Tinoco

Para fechar a lista com chave de ouro, eis uma canção da mais importante das duplas caipiras, Tonico e Tinoco. Lançada em 1960, Morenina Linda foi composta por Tonico, em parceria com a dupla Priminho e Maninho. 

Para executar essa canção no violão, são necessários apenas 3 acordes simples.

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