Especial Dia do Rock: os anos 60

Por Gustavo Morais

Janis Joplin em seu Porsche, em 1964

Quando o assunto é século XX, não há dúvidas de que a década de 1960 foi a mais intrigante daquele período. Revolucionário em todos os sentidos, os anos 60 também são chamados de “anos rebeldes”. Houve avanços científicos – até então inimagináveis -, mudanças nos padrões de comportamento, novas tendências nas artes e ascensão de movimentos sociais e culturais.

Nos primeiros idos dos anos rebeldes, a corrida espacial fomentava cada vez mais a Guerra Fria. Doze meses depois de os Estados Unidos lançarem o primeiro satélite meteorológico, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem a viajar através espaço. Pouco depois, o Rock and Roll também fez uma viagem: atravessou o Oceano Atlântico e chegou na Europa – na Inglaterra, mais precisamente. Capitaneado pela tríade  Beatles, Stones e The Who, e metamorfizando as influências do rock americano, o movimento conhecido por Invasão Britânica mostrou ao mundo um novo jeito de se fazer rock. No Brasil, graças a nomes como Renato e Seus Blue Caps, Mutantes e Roberto Carlos – e seus comandados da Jovem Guarda -, a lição foi bem aprendida.

Mutantes: Rita Lee era a musa do rock nos anos 60

A música promove união. Contudo, a década de 1960 foi cenário de alguns acontecimentos separatistas. Em 1961, o mundo testemunhou a construção do muro de Berlim, a barreira física erguida pela extinta Alemanha Oriental com o objetivo de separar a cidade em um setor capitalista e outro socialista. Os Estados Unidos viviam a época mais terrível da segregação racial, romperam relações com Cuba e lutavam no Vietnã havia cinco anos. Os assassinatos de líderes como John Kennedy e Martin Luther King Jr. tornaram os anos rebeldes ainda mais densos. Em 1964, um Golpe de Estado fez com que o Brasil mergulhasse em uma Ditadura Militar que se estendeu por 21 “anos de chumbo”.

Paul e George, em 1968

Em meio às desgraças espalhadas mundo afora, as artes vestiram as armaduras do protesto e surgiram em cena. O caos, o medo e as incertezas serviram de combustível para que o rock assumisse um posicionamento politizado e fosse voz dos movimentos de contracultura. Nomes como Bob Dylan, Joan Baez e Richie Havens estão entre os expoentes daquele momento. No cinema, o movimento francês chamado Nouvelle Vague fortaleceu o coral das contestações. No teatro, a companhia brasileira Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona atravessou um de seus momentos mais prolíficos e fez parte da concepção da Tropicália, movimento que norteou músicos, poetas e artistas em geral.

“Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval. Eu inauguro o monumento no planalto central do país” – a música de Caetano que deu nome ao movimento Tropicália:

No mês de agosto de 1969, o espírito contestador dos anos rebeldes mostrou sua real força. Algo em torno de 500 mil pessoas se reuniu no festival de Woodstock e evangelizou o lema “paz e amor”. A década parecia caminhar para o fim com otimistas e psicodélicas gotas de esperanças em um futuro que se mostrava cada vez mais temível. No entanto, o espírito pacifico do “flower power” não se fez presente no desastroso festival de Altamont, organizado pelos Stones, e menos ainda nos crimes cometidos pela seita liderada por Charles Manson. Consequentemente, o movimento hippie começou a perder sua essência e os anos 60 terminaram com um prelúdio de tempos ainda turbulentos e efervescentes.