Há um estilo musical para cantar que seja fácil?

Por Fabio Teixeira

Há músicas que só de ouvir já pensamos que nem vale a pena tentar cantar, não é? Essa dúvida pode ser por causa daquela nota aguda, ou das palavras difíceis de articular, ou pelos efeitos e ornamentos vocais que não dominamos. Mas será que é possível escolher um estilo musical para cantar que seja mais fácil?

Cantora em estúdio gravando o estilo musical para cantar que ela considera mais fácil
(Foto/Pexels)

Neste artigo, você terá acesso a conhecimentos que te ajudarão a repensar um pouco sobre a tua voz.

O que são estilos musicais?

Antes de tudo, é importante entendermos o significado de estilo musical. Podemos defini-lo como um conjunto de recursos utilizados para se expressar por meio da música. Dentre outras características, os estilos musicais se diferenciam de acordo com:

  • Linguagem utilizada
  • Instrumentos presentes no arranjo

Além dos dois fundamentos acima, não podemos nos esquecer da trinca fundamental: harmonia, ritmo e melodia.

Entenda qual estilo musical para cantar funciona para você

Não podemos afirmar categoricamente que um tipo de música é mais fácil do que o outro. É mais plausível, no entanto, entendermos que determinados estilos suportam músicas mais fáceis para cantar. Porém, mesmo dentro deles você pode descobrir músicas desafiadoras.

Além disso, o que parece fácil para uns, pode parecer difícil para outros. Cantar uma ópera, por exemplo, costuma ser mais difícil do que, digamos, cantar um axé. Agora, imagine se Luciano Pavarotti se aventurasse a cantar, o clássico Segure o Tchan. Poderia soar como uma canção “fora do normal”, concorda? No vídeo abaixo, a Natália Sandin te dá umas dicas de como encontrar músicas adequadas para tua voz:

Em conclusão, podemos entender que até os melhores cantores podem encontrar dificuldades em interpretar determinados estilos. Logo, para conseguir trabalhar o seu talento, procure compreender qual estilo musical para cantar funciona mais para você. Mas como fazer isso? A seguir, você confere alguns fundamentos que precisa considerar.

Influência do meio social e gosto musical

Na hora de procurar um estilo musical para cantar, pense no meio em que você vive e viveu. Nós brasileiros, por exemplo, “saímos na frente” dos estrangeiros para cantarmos samba, axé, sertanejo ou funk.

Em contrapartida, se sua família e seus amigos nunca se interessaram por fado, pode ser que sejam menores as possibilidades de você fazer bonito nesse estilo. Isso não quer dizer, no entanto, que você não conseguirá cantar um determinado tipo de música. Porém, os estilos que fazem parte do seu dia a dia podem ser mais fáceis.

As questões de afinidade com os estilos de música são essenciais para o desenvolvimento do aprendizado. Parece óbvio, mas é comum encontrarmos quem queira cantar estilos que não aprecia pensando em outras coisas, como retorno financeiro, fazer networking, etc. Então, procure perceber se sua dificuldade com certo estilo não acontece simplesmente por conta do seu gosto musical.

Recursos de interpretação

Para muitas pessoas, os recursos vocais são apenas aqueles mais chamativos. Muitas vezes, tais recursos são associados a estilos como pop americano (na linha de Whitney Houston, Mariah Carey, etc), jazz, soul, entre outros. Dentre esses recursos estão o melisma, as notas agudas, o drive e o vibrato, por exemplo. Abaixo, você confere uma videoaula sobre um desses ornamentos:

Agora que você já tá com os drives em dia, chegou a hora de reforçar a ideia de que todo estilo tem suas particularidades. Na MPB, por exemplo, é frequente o uso de efeitos como fry, glissando, ou a exploração da dinâmica vocal, de deslocamentos rítmicos, entre outros.

Tessitura vocal

A tessitura vocal compreende as notas que você utiliza com conforto e qualidade para o canto. Dessa forma, é preciso que você respeite a sua. Claro, você pode estudar o assunto e tornar sua tessitura um pouco maior.

Talvez você não tenha a mesma tessitura que o Zezé Di Camargo, por exemplo. Ou, em termos práticos, pode ser que você não consiga cantar notas tão agudas quanto ele. A princípio, isso não é um problema, pois, cada um tem sua tessitura. No vídeo abaixo, Nati Sandim te conta mais sobre esse assunto.

A partir do conhecimento sobre tessitura, você pode escolher o tom ideal para cada canção que for cantar. Aqui no Cifra Club você tem uma ferramenta para isso. No menu que fica à esquerda de cada cifra, há uma opção para mudar o tom, caso você vá se acompanhar com um instrumento.

Se você não toca nenhum instrumento harmônico, na internet você encontra apps e plugins que mudam o tom das músicas de forma automática. Alguns podem, inclusive, ser utilizados em vídeos do YouTube, como o Transpose Pitch (para o Google Chrome).

Qual estilo é o melhor pra começar a cantar?

Sim: existem estilos com mais músicas fáceis de cantar. São aquelas canções que não exigem uma grande tessitura, não utilizam tantos recursos vocais, e que fazem parte do meio social de muita gente. Fora isso, não possuem intervalos dissonantes (como no jazz e na bossa nova, por exemplo), não exigem tanta desenvoltura na dicção, entre outras coisas.

Dentro desses estilos você também irá encontrar canções difíceis, mas eles têm uma boa quantidade de músicas mais simples de cantar. Vamos conhecer alguns exemplos. Porém, antes de partir para a análise dos estilos, não deixe de conferir o vídeo a seguir.

Nova MPB

A chamada Nova MPB é estilo com muitas músicas fáceis. Em outras palavras, essas canções não exigem tanto do cantor. De forma alguma isso quer dizer que seus intérpretes famosos não precisam ser bons. Afinal, atingir um nível profissional já é outra história.

Dentro desse estilo podemos citar músicas como Trem-bala, da Ana Vilela; De Janeiro a Janeiro, de Roberta Campos; e Era uma Vez, hit da Kell Smith.

Pop/rock

O pop/rock possui músicas que não precisam de tantos recursos, e em muitas delas o intérprete se expressa de forma “mais viceral”, digamos assim. Logo, você não precisa ser um cantor tão experiente para cantar alguns sucessos desse estilo razoavelmente bem. Dê o play e confira um vídeo com dicas para quem quer cantar rock.

Como exemplo de músicas fáceis podemos citar Só Hoje, do Jota Quest; O Passageiro, do Capital Inicial; e Como Eu Quero, do Kid Abelha.

Samba

Os vários tipos de samba fazem dele um estilo repleto de músicas indicadas para o iniciante. Isso não quer dizer, no entanto, que você vai sair cantando como o Zeca Pagodinho num passe de mágica. O Zeca, inclusive, tem uma grande vivência no samba, e isso facilitou bastante o caminho dele.

Ademais, Zeca é bem afinado, possui uma boa extensão vocal e conta com outros diferenciais. Abaixo, você confere discas definitivas para melhorar a afinação.

Mas se você está começando agora, no entanto, temos algumas dicas de repertório pertinentes. No samba, você pode começar treinando as músicas Timoneiro, de Paulinho da Viola; Disritmia, do Martinho da Vila; e Maracangalha, de Dorival Caymmi.

Reggae

Que tal um exemplo que tem músicas nacionais e internacionais? No reggae, muitas vezes o maior desafio são as notas agudas, mas isso você pode contornar abaixando o tom da música.

A canção Is This Love, de Bob Marley, por exemplo, pode ser um pouco aguda para muitas pessoas. O artista também brinca com dinâmica, vibrato, local de ressonância da voz, dentre outras coisas. No vídeo abaixo, você descobre um pouco mais sobre vibratos.

Além do clássico de Bob Marley, sugerimos Don’t Worry, Be Happy, do Bobby McFerrin; Analua, de Armandinho; e Me Namora, da banda Natiruts.

Aprenda a cantar no Cifra Club Academy!

Agora que chegou até aqui, certamente você já sabe como encontrar um estilo musical para cantar! O passo seguinte, é procurar estudar com que tem o melhor conteúdo para ensinar. Para isso, você pode contar com o Cifra Club Academy, a plataforma de ensino de música online mais completa do Brasil.

Além de estudar no conforto do seu lar, o Cifra Club Academy oferece uma didática planejada para formar músicos completos. Com uma única assinatura, além de fazer o curso de canto, você pode aprender a tocar vários instrumentos, teoria musical. Tudo isso, claro, com um excelente custo-benefício.

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