Halsey e Charli XCX não querem competitividade entre mulheres no pop

Por Damy Coelho

Charli e Halsey estampam a capa da Billboard dos EUA (Divulgação)

Charli XCX e Halsey são duas cantoras em ascensão no pop. As duas compõem seus próprios hits. E, para além disso, elas defendem uma maior representatividade feminina na música.

Tantos pontos em comum renderam uma bela sessão de fotos para a revista Billboard deste mês, além de um bate-papo bem interessante entre as duas.

Elas falaram sobre a posição atual da mulher na música e o fato de serem artistas que tocam a própria carreira como bem entendem: seja produzindo suas próprias músicas ou de outros artistas, seja dirigindo seus próprios clipes.

Um exemplo é o vídeo de Boys, dirigido e produzido pela própria Charli, que desconstrói os padrões de masculinidade que vemos por aí:

Destaque também para a parceria de Halsey com Lauren Jauregui em Strangers, música composta pelas próprias cantoras, que aborda o relacionamento entre duas mulheres de forma romântica e sem os fetiches habituais:

“MAS QUEM COMPÕE AS SUAS MÚSICAS??”

Um dos pontos em que as duas mais concordam é quando o assunto é o preconceito em relação à criatividade das mulheres no pop. “Desde que comecei, compus minhas próprias músicas”, aponta Halsey. Charli concorda:

E as pessoas ficam tipo ‘oh, quem escreveu suas músicas?’ Há muita dúvida, especialmente com uma popstar mulher. Taylor Swift, compositora maravilhosa. Katy Perry, compositora maravilhosa. Lady Gaga, compositora maravilhosa. Halsey completa: as pessoas querem tirar os créditos delas o tempo todo

Esse não é um pensamento isolado. É só pensar que muita gente duvida da inventividade de mulheres na música pop. Atribuem o sucesso de uma mulher a um produtor foda, ou a um compositor realmente talentoso. E isso não rola só com Charli, Halsey, Lady Gaga ou cantoras internacionais. Quantas vezes a Anitta precisou explicar que é ela quem gerencia a própria carreira e quem compõe muitos de seus próprios hits?

Curiosamente, ela é a principal artista brasileira da atualidade – para desespero dos haters.

Também não se trata de uma particularidade da música pop, que os mais puristas podem considerar “extremamente produzida, sem artistas reais”. Basta pegarmos os exemplos masculinos, como Justin Bieber ou algum ex-One Direction: muita gente os aplaude por reconhecerem um “amadurecimento musical” em suas carreiras. Poucos questionam a participação desses artistas em suas próprias canções.

Isso sequer chega a ser debatido quando estamos falando de cantores homens.

SORORIDADE

Enquanto Katy Perry e Taylor Swift continuam trocando farpas musicais, Charli XCX e Halsey não concordam com esse tipo de atitude – mesmo que soe como pura estratégia de marketing. Na entrevista, as duas apontam para um outro cenário, de apoio mútuo entre as mulheres na música – o que muitos chamam de sororidade.

Sinto que existe um consenso geral não verbalizado entre as artistas de que não é legal ser competitivo ou briguento. É melhor amizade e colaboração. Soa muito cafona, mas…, diz Charli. Halsey interrompe:  não, não soa. Soa realista. E Charli completa: nunca foi da minha natureza lutar contra garotas

Halsey finaliza muito bem: “a gente comemora as vitórias umas das outras”.