Saiba tudo sobre a volta da Tonante ao mercado

Por Thiago Fagundes

Isso mesmo: a Tonante, uma das fabricantes de instrumentos de entrada mais clássica do Brasil, está de volta ao mercado.

Se você é da geração Z, é menos provável que conheça essa lenda das guitarras nacionais. Mas a galera que tá no rolê das cordas há mais tempo certamente tem alguma história com a Tonante.

E é pra homenagear essa marca icônica e celebrar a volta de seus instrumentos às lojas brasileiras que fizemos este post.

Se liga!

A Tonante e a era de ouro dos instrumentos nacionais

A empresa foi fundada em 1954 por uma dupla de portugueses, os irmãos Abel Tonante e Samuel Tonante. Em princípio, os primeiros instrumentos ainda saíram com a marca “Ao Rei dos Violões Ltda”, que era o nome de registro da Tonante.

Os instrumentos eram feitos de forma bem artesanal pela dupla de luthiers portugueses e, em virtude disso, eram vendidos a preços populares. Isso mesmo, as guitarras, contrabaixos, violões e cavaquinhos da marca eram os mais acessíveis do mercado. 

Em consequência do precinho camarada, os Tonantes acabaram sendo por padrão o primeiro instrumento dos músicos daquela época. 

De fato, essa empresa deixou sua marca indelével na memória afetiva dos músicos brasileiros. Afinal, a gente sempre lembra com carinho da guitarra em que tocamos os primeiros acordes, não é mesmo?

Sem contar que nas décadas de 1950 e 1960 a guitarra passa a ser um sonho de consumo da garotada. Em virtude de termos ali movimentos de rock and roll à brasileira, como a Jovem Guarda, que pegaram em cheio a juventude daquele período.

Foi aí que a Tonante entrou. Já que as importações de instrumentos não eram uma realidade no mercado nacional, a Tonante e outras marcas brasucas reinavam. 

O que aconteceu com a Tonante?

Por outro lado, com o passar das décadas, o mercado foi ficando mais competitivo, sobretudo a partir de 1986, com o processo de redemocratização. Pois, anteriormente, no período da ditadura, houve uma política econômica de restrição às importações. 

Em resumo, os militares tinham essa visão de valorizar a produção nacional, fechando as portas para marcas estrangeiras. 

Posteriormente, com a redemocratização, houve progressivamente uma abertura pros produtos importados no país. Por consequência disso, outras marcas como Shelter, Strinberg e Aria Pro começaram a pintar nas lojas de instrumentos por aqui.

Essas novas marcas tinham produção asiática (mais barata) e estavam mais perto dos padrões internacionais de qualidade de componentes e design dos instrumentos. Em outras palavras, elas podiam vender guitarras mais bem construídas e mais baratas que as nacionais. Nesse cenário, a Tonante teve que sair de cena.

As guitarras clássicas da marca Tonante

A Tonante das antigas tinha um design único. O modelo Finder (você não leu errado, é Finder mesmo, com “i”), por exemplo, era inspirado no Fender Jaguar. No entanto, passava longe de ser uma cópia.

Tonante Finder, modelo clássico de guitarra
A Tonante Finder é um dos modelos clássicos de guitarras fabricadas no Brasil (Foto/Wikipedia)

Ou seja, não estamos falando de um falseamento barato, mas sim de um instrumento com uma cara própria. 

E, apesar de artesanais e de construção mais simples (não tinham tensor, por exemplo), esses instrumentos não eram ruins. Ao contrário, os captadores desse modelo eram enrolados pelo grande Érico Malagoli. Além disso, nada de laminado nas madeiras, estamos falando de guitarras de cedro mesmo, mó timbrão!

Tomemos apenas as guitarras como exemplos, dá pra ver que eram coisa de outro mundo! Entre os principais modelos poderíamos destacar:

  • Tonante Finder (posteriormente, Erton) que era esse híbrido entre strato e jaguar;
  • Tonante Starlight, uma superstrato que vinha com famoso sistema de ponte flutuante intitulado “vibrola”. Eles até tentaram se inspirar numa Floyd Rose, mas não deu muito certo;
  • Tonante Les Paul. Essa era mais rara de você ver por aí. Mas tinha uma Lespa da Tonante também, legal né?

Acabou que essas guitarras hoje são consideradas cult. Afinal, estamos falando de instrumentos únicos e com timbre peculiar.

A volta da Tonante

A empresa que reativou a marca é o Grupo Oderço, de Maringá. Surpreendentemente, os caras são especializados em eletrônicos e informática. No entanto, nos fizeram esse grande favor de botar de novo o nome da Tonante na praça.

E pra celebrar essa volta, os novos headstocks têm a inscrição “desde 1954”, que referencia as raízes da empresa. Legal, né? Ah, e a logo foi remodelada também.

Headstock de guitarra do nova fase da fabricante Tonante

Agora que você já sabe como a Tonante volto pro jogo, chegou a hora de conferir o que está por vir.

Os novos modelos da marca

Os novos violões e guitarras Tonante são fabricados na Ásia, mas contam com um rigoroso controle de qualidade e inspeção de luthiers brasileiros. Ficou curioso sobre os modelos? Saca só

Guitarra Tonante Muriel’s

Com apenas 1,5 mil unidades no mercado, esta é uma strato clássica, com um formato de headstock mais conservador (de shape arredondado) e com um timbrão bastante twang.

Com foco no segmento de instrumentos mais custo benefício, esse modelo tem corpo em Linden e braço e escala em Maple. Ao que tudo indica, os captadores single são cerâmicos, mas soam bem. 

Além disso, o precinho é camarada, entre R $900,00 e R $1000,00.  Ah, as cores disponíveis são preta, vermelha e sunburst. 

Violão Agatha Jumbo

Esse Jumbo tem tampo em spruce e corpo em sapele. De acordo com o fabricante, o sapele tem características próximas do mogno, no entanto, possibilita um timbre com mais brilho

O instrumento é bem acabado e tem um formato de bojo com cutway. Além disso, esse e os outros modelos de violão de aço Tonante já vem equipados com preamp. Aliás, nesse pré você dispõe de um afinador cromático e um equalizador de 3 bandas. 

Preço: entre R $900,00 e R $1000,00.

Violão Topázio

Esse tem tampo em sapele e corpo em mogno laminado. Além disso, achei o design bem interessante, lembra um pouco o cobiçado Taylor 200 214ce. 

Você leva um desses pra caso por algo em torno de R $1000,00.

Jade Folk

Tem “dreadnought” da Tonante também, galera. Ele é construído com as mesmas madeiras que o modelo Ágatha e custa entre R $850,00 e R $1000,00.

Ametista folk

Essa é uma opção de folk cutway com um acabamento mais rústico ao passo que vem nessa cor tabaco. Além disso, o corpo é feito em mogno laminado e tampo em spruce. É provável que você o encontre por mais ou menos R $1000,00.

Tonante Nylon Acttn1954 Clássico Natura

Esse aí é o modelo clássico da Tonante e o mais em conta, pois custa em torno de R $500.00. Ele tem acabamento em verniz brilhante e é construído em mogno laminado e Linden.

Modelo de violão clássico, com cordas de nylon, da Tonante
O mais clássico dos modelos de violão da Tonante; relação custo benefício é ótima (Foto/Site Oficial)

Esperamos que nossa singela homenagem à Tonante tenha te inspirado a tirar a poeira daquele violão antigo e a pôr em prática o velho sonho de aprender música. Se esse é o seu caso, venha estudar conosco na Cifra Club Academy. Aqui você terá o melhor suporte didático pra deslanchar no estudo do violão e outros instrumentos.

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