Quem são os melhores “segunda voz” do sertanejo?

Por Izabela Ventura

Anteriormente, nós te apresentamos os melhores “primeira voz”, ou seja, os primereros da música sertaneja. Desta vez, vamos te contar quem são os top 8 da segunda voz no Brasil.

Creone, segunda voz do Trio Prada Dura
Há quase 50 anos no Trio Parada Dura, a segunda voz de Creone continua sendo referência (Foto/Site Oficial)

Sabemos que cada um tem sua função numa dupla. Portanto, quem pensa que a segunda voz é um mero acessório, definitivamente precisa rever conceitos. E, se você chegou até este post, não é o seu caso, certo?

Para que serve a segunda voz?

Antes de mais nada, a segunda voz é formada por uma sequência de notas diferentes da primeira voz, mas de uma maneira que combinam entre si.

Dessa forma, a função dela é dar forma à melodia, fazendo, assim, a sustentação sonora, ou seja, a harmonia. Além disso, o segundeiro precisa mostrar-se presente, sem tirar o foco do primerero. Como resultado, temos duas vozes perfeitamente equilibradas e proporcionais, formando estas duplas maravilhosas que o Brasil adora.

Abaixo, você confere uma explicação sobre esse assunto:

Os melhores cantores de segunda voz do sertanejo

De antemão, lembramos que tem muitos segundeiros “de primeira” Brasil afora. Logo, é uma missão complicada ter que selecionar só alguns neste post. Dito isso, nosso critério foi destacar nomes que inovaram de alguma forma no mercado sertanejo, seja por meio de técnicas impecáveis, ou pelo conjunto da obra.

Veja os nomes que vamos desvendar por aqui:

  • Creone (Trio Parada Dura)
  • Hudson (Edson e Hudson)
  • Matogrosso (Matogrosso & Mathias)
  • Chitãozinho (Chitãozinho & Xororó)
  • Chico Rey (Chico Rey e Paraná)
  • Leandro (Leandro & Leonardo)
  • Chrystian (Chrystian & Ralf)
  • Durval (Durval & Davi)

Creone

Considerado o maior segundeiro do Brasil, Creone faz parte do Trio Parada Dura, sucesso que está na estrada há 50 anos. Não à toa, fez dupla com Barrerito, aclamado como a melhor primeira voz do sertanejo.

Sem dúvida, uma característica vocal marcante do Creone é transitar entre agudos e graves com perfeição. Essa técnica é chamada nos bastidores de “segunda de pica pau”, ou seja, mudar o tom ou volume, às vezes, de uma sílaba pra outra.

Dessa forma, ele preenche a música fazendo arranjos com a voz, usando-a como um instrumento musical. Além disso, sabe dosar bem o volume, destacando, assim, o brilho do primerero. Em outras palavras, tem quase uma mesa de mixagem nas cordas vocais.

Hudson

Compondo um duo primoroso com o irmão Edson, o Hudson foi o responsável por adicionar um quê de rock à dupla. Ele consegue tocar uma guitarra envenenada e interpretar a segunda voz, ao mesmo tempo, como ninguém. Além disso, fica pra ele a missão de acompanhar a potência vocal e os tons bem altos que o Edson alcança.

Veja uma amostra da afinação fora do comum do Hudson em Falando Às Paredes. Da mesma forma, acompanhe como a guitarra dele cria a melodia e forma um “trio” perfeito no palco. Por fim, repare também no solo cirúrgico que ele faz no meio da canção: 

Matogrosso

A formação original de Matogrosso & Mathias é uma das melhores duplas sertanejas antigas. Do mesmo modo, o Matogrosso é um dos melhores segundeiros da nossa lista.

Isso porque é tão versátil que passeia entre a primeira e a segunda voz com uma super facilidade. Às vezes, faz isso em vários momentos da mesma música. Por isso, criou-se até uma discussão se ele seria o primerero da dupla. No entanto, o próprio já esclareceu que é, definitivamente, um segundeiro.

Outro traço marcante do Matogrosso é a interpretação. Depois, a naturalidade com que canta, sem forçar. Segundo ele, algo que herdou da mãe, também cantora, com quem fazia dupla quando criança.

Chitãozinho

Nosso próximo segundeiro completa um dos agudos mais altos do Brasil. As vozes de Chitãozinho & Xororó são o match perfeito. Para isso acontecer, o Chitão segura tons mais baixos com uma maestria que faz as vozes se encaixarem perfeitamente uma na outra. Logo, viram uma só.

Chitão inspirou e é citado por muitos segundeiros da geração mais nova como um exemplo na função. Não só pela afinação, como também pelo conjunto da obra. Ou seja, além da técnica, domina a harmonia com a primeira voz e mantém disciplina com a saúde vocal, acima de tudo.

Chico Rey

Tal qual o Chitãozinho, Chico Rey teve que segurar tons altíssimos para o primerero, o Paraná. O Chico já morreu, infelizmente, deixando o irmão e um monte de fãs carentes de sua afinação mais que perfeita. 

Talvez a principal qualidade vocal dele estivesse em dois traços comportamentais: foco e concentração. Sabemos que é bem difícil para o segundeiro manter a afinação quando a primeira voz está em tom muito alto. Porém, observe como o Chico é um poço de serenidade nesta performance intensa em tom e interpretação no dueto com o Paraná:

Leandro

Nosso próximo mestre segundeiro também passou a encantar os habitantes do céu com sua voz. Entretanto, sua obra até hoje inspira os sertanejos por aqui. A princípio, pra quem não sabe, foi Leandro  quem convenceu o irmão, Leonardo, a entrar na carreira, pois ele é que começou a cantar a sério.

À propósito, Leandro era conhecido por ser um baita perfeccionista, colocando tudo o que tinha nas músicas. Em outras palavras, técnica, persistência e emoção caminhavam juntas. Como resultado, conseguiu interpretações memoráveis para a música sertaneja

Leandro foi um dos pioneiros a conseguir mais destaque para o segundeiro nas duplas. Além disso, inovou ao revezar as funções com o parceiro, brilhando, também, no papel de primeira voz

Apesar de este ser um post sobre segunda voz, pedimos uma licença para relembrar esta performance inesquecível do Leandro cantando Catedral:

Chrystian

Por integrar a dupla conhecida por ser a mais afinada do sertanejo, Chrystian não poderia ficar fora da nossa lista. Ainda na ativa com o irmão, Ralf, ele sempre defendeu que é possível, sim, aprender a fazer a segunda voz. No entanto, acredita que só prevalece quem, de fato, tem um dom.

Por outro lado, a intuição caminha junto com a técnica. Chrystian domina as variações entre terças, quintas e quais notas mais precisar alcançar. Além disso, tem um vibrato que faz toda a diferença nos finais de frase

Durval

A dupla Durval & Davi fez parte do time “classe A” das duplas sertanejas dos anos 70. O segundeiro, Durval, é fora de série e grande referência para outros cantores e profissionais da voz.

Durval é inconfundível porque canta num volume mais alto que o usual. Logo, uma segunda voz diferente e fora do padrão suave, que é mais adotado. Para isso, ele conta com ótima projeção vocal. Além disso, canta de forma natural, quase do mesmo jeito que fala.

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Desde já, veja uma palinha de base teórica do que nossa instrutora de canto Natália Sandim tem pra ensinar: