Novo disco do Justin Timberlake divide fãs e crítica

Por Damy Coelho

Man Of The Woods: fãs de Justin Timberlake estão indignados com a crítica (Foto: Divulgação)

Justin Timberlake lançou nesta sexta (2) o aguardadíssimo álbum Man Of The Woods. Quem está ligado nas redes sociais viu diversos elogios e comentários empolgados sobre o disco, muitos vindos dos fãs que esperavam há anos por mais um álbum arrebatador do músico.

— Marcella Barbosa (@CellaBarbosa) 2 de fevereiro de 2018

Mas é só dar uma explorada nas críticas de um modo geral para ver que grandes sites musicais estão rechaçando o novo lançamento do cantor.

O Pitchfork deu a vergonhosa nota de 3.8 ao disco (num total que vai até 10) – nota mais baixa que qualquer disco da Katy Perry, artista que não é lá muito cotada pelo site. De um modo geral, as críticas apontam Man Of The Woods como um álbum insosso, perdido entre várias referências e que nem de longe tem o potencial do restante de sua discografia pop.

Mas o que justifica tanta incoerência na percepção de crítica e fãs?

Man Of The Woods tinha tudo par ser um megalançamento: além de ser a volta de um artista carismático e talentoso, o álbum conta com produção de nomes que ajudaram a elevar a carreira do cantor em Justified, como Timbaland e o Neptunes de Pharrell Williams.

Timbaland, que esteve ao lado do cantor até o ótimo The 20/20 Experience, de 2013, também foi chamado. Só por isso, a empolgação do público sobre Man Of The Woods soa justificável.

Mas o problema começou antes mesmo do lançamento, quando Justin comentou que seu novo trabalho iria mergulhar na música sulista dos EUA, com influências fortes de country e funk estadunidense. Tudo bem, é um retorno às raízes familiares do cantor – e esse papo de retorno às raízes está em alta no pop, até a Miley Cyrus entrou na onda. Porém, o caminho escolhido soa um clichê-óbvio, totalmente oposto ao que esperamos de um artista pop inventivo como Timberlake – e que tinha todo o espaço e talento para se reinventar até mesmo dentro do r&b – base de boa parte das músicas que o consagrou.

À LÁ BRUNO MARS

Não nos leve a mal, o álbum não é de todo ruim. O problema é que, vindo de Timberlake, esperava-se mais originalidade. Ou ao menos bons hits – o que seria fichinha levando em conta a série de boas músicas de trabalho que o cantor já lançou ao longo da carreira. Nestes dois quesitos, Man Of The Woods morre na praia, bem longe do Tennessee.

A mistura de funk e eletrônico que abre o álbum, Filthy, parece ter saído de uma bside do Bruno Mars. O que não teria nenhum problema, já que a música é boa, de fato. Só não soa original. Não pega. A partir disto, é inevitável fazer a comparação entre os dois cantores: Mars, o grande vencedor do Grammy, já usou a mistura de funk e pop em Unorthodox Jukebox, de 2012, o que mostra que a ideia de Justin para seu retorno não é lá a mais original do mercado.

De olho no que o público do mundo inteiro anda ouvindo, no ano passado Mars mergulhou na história e nas influências do hip hop para lançar o sucessor, 24Magik. Conseguindo ser extremamente popular ao mesmo tempo em que “guia” o ouvinte por dentro do estilo musical que quer exaltar, o disco elevou Mars ao patamar de grande vencedor do Grammy deste ano. Seu acerto foi se inspirar no sucesso de seu hit, Uptown Funk, e lançar um disco todo baseado no mesmo groovy, porém, mais grandioso e ainda melhor executado. O resultado é um álbum forte, empolgante, recheado de potenciais hits.

Já Man Of The Woods, nas poucas vezes que aposta no r&b “de raiz” ou no hip hop, o faz de forma datada e pouco inventiva: a tentativa de embarcar no trap em Supplies soa igualzinha às músicas produzidas pelo Timbaland nos anos 2000. Repetir a mesma fórmula com músicas que não têm nem de longe a potência dos hits de Justin nesta época parece ser o ponto fraco de Man Of The Woods.

MÉRITOS

Apesar de tudo, Man Of The Woods não merecia notas tão baixas e nem críticas recheada de ironias e deboches, como as que andam saindo por aí.

O álbum conta com seus acertos, como Montana (um retorno aos velhos tempos de JT), Wave e Morning Light, dueto com a Alicia Keys.

Na verdade, o resultado é um disco agradável de ouvir em sua totalidade (dá pra pular uma música ou outra), porém, morno. Ao contrário de Mars (inevitável não voltar à comparação), o álbum de Justin peca por não ter nenhuma música realmente poderosa para emplacá-lo. Man Of The Woods é de longe uma das mais fracas para virar música de trabalho, e curiosamente foi escolhida como o carro-chefe do disco. Enquanto os outros álbuns tinham as poderosas Cry Me A River, What Goes Around…Comes Around e Mirrors, não há nenhuma música em MOTW com potencial suficiente para se equiparar aos hits antigos de JT.

Para os fãs que ansiavam há 5 anos por um novo álbum de JT, a empolgação inicial em torno de é justificável.

Mas, se formos levar em conta a sua discografia, futuramente, será difícil apontar Man Of The Woods como o melhor disco de sua carreira – sequer deve entrar na lista de “favoritos” do próprio fandom do artista.

O que vale aqui é ver um cantor consistente voltando à ativa, em um momento em que o mercado musical está abertíssimo para o tipo de som que ele faz.