Os tipos de bends que todo guitarrista deve dominar

Por Fernando Paul

Você quer deixar seus solos ainda mais interessantes e com sonoridade diferenciada? Então saiba que está no lugar certo. Neste artigo especial, vamos abordar os principais tipos de bends.

Dedos da mão esquerda de um guitarrista executam um dos tipos de bends na guitarra  Stratocaster
Chegou a hora de ter os principais tipos de bends na ponta dos dedos (Reprodução/Internet)

Eles podem ser aplicados principalmente na guitarra e no violão, porém nada impede que as técnicas sejam utilizadas em outros instrumentos de cordas, incluindo o baixo.

Quantos tipos de bends na guitarra e no violão você conhece?

Em primeiro lugar, é importante salientar que o bend é uma das principais técnicas de guitarra e violão, podendo ser usado de muitas maneiras. Pense no seu solo favorito de todos os tempos – aposto que ele contém muitos bends! Nesse sentido, dominar as variadas formas da técnica é importante para qualquer instrumentista.

Aqui, selecionamos os tipos de bends mais utilizados pelos principais músicos do mundo. Provavelmente você já conhece alguns, mas temos a certeza de que outros serão novidade. E aí, preparado? Então vamos lá!

Bend

Antes de tudo, se você não sabe o que é bend, aqui vai uma explicação bem simples. A técnica de bend consiste em “empurrar” a corda apertada para cima ou para baixo, saindo da nota original para atingir outra mais aguda. Esse tipo de bend é o mais popular e fácil de executar.

Os bends são um dos maiores recursos que o guitarrista pode utilizar para imprimir emoção em seus solos. Além disso, eles podem ser de variados tons: ¼ , ½ , 1, 1½ e até 2 tons. Uma música repleta de bends em seu tema principal é Still Got the Blues, do saudoso Gary Moore.

O grande desafio do bend, no entanto, está na afinação. Em outras palavras, o guitarrista deve se preocupar em acertar a nota alvo em cheio, sem desafinar. Para isso, aqui vai uma dica bacana de treino:

  • considerando a escala pentatônica de Am, toque a 5ª casa da corda B (nota E).
  • memorize essa nota. Agora, faça um bend de um tom partindo da 7ª casa da corda G (nota D).
  • você deve parar de levantar a corda quando atingir a nota que memorizou.

Vá fazendo bends e comparando as duas notas até você conseguir afinar perfeitamente.

Para complementar o assunto, aqui está um vídeo bastante explicativo sobre a técnica simples de bend:

Bend release

O bend release nada mais é do que o bend simples que retorna à nota de origem. Ou seja, o guitarrista faz dois movimentos: empurra a corda até atingir a nota alvo e depois volta à nota original. Essa técnica dá um efeito muito bacana a qualquer solo. Experimente variar a velocidade do bend release – quanto mais devagar, mais “tensão” será gerada.

Um grande exemplo de música famosa que contém a técnica de bend release é Estranged, do Guns N’ Roses. Assista ao vídeo abaixo e repare na primeira intervenção de guitarra da canção (de 0:36 a 0:58), pois Slash faz o bend release diversas vezes. Aliás, diga-se de passagem: o guitarrista do Guns é um mestre quando o assunto é bend!

Reverse bend

Essa variação também é conhecida como pré-bend. Em síntese, trata-se de, sem tocar a corda, empurrá-la até chegar a uma determinada nota mais aguda. Só depois você deve dar a palhetada e fazer o movimento de retorno à nota original. Ou seja, seria apenas o segundo movimento do bend release. Falando nisso, confira este vídeo explicando as duas técnicas:

A dificuldade do reverse bend consiste em atingir a nota alvo sem ouvi-la. Em um primeiro momento, pode parecer complicado, mas não se preocupe: com um pouquinho de treino, a sua “memória muscular” garantirá que a técnica seja corretamente aplicada.

Um dos maiores exemplos da sonoridade do reverse bend é o solo de introdução da música Something, dos Beatles. Repare que a segunda nota do solo (0:02 do vídeo abaixo) é justamente o reverse bend, que conta com um som bastante particular e interessante.

Bend em uníssono

Essa técnica é uma das marcas registradas do rock and roll. Basicamente, consiste em tocar duas notas em cordas diferentes, dando o bend em apenas uma delas para que ambas as notas se equiparem.

Confuso? Calma, é muito fácil. Veja só: novamente na pentatônica de Am, toque juntas estas duas notas: a 5ª casa da corda B (nota E) e a 7ª casa da corda G (nota D), levantando a corda G até uma nota se igualar à outra.

Repare como a técnica dá um efeito diferenciado ao som, tornando-o mais poderoso e cheio. As primeiras notas de Train Kept a Rollin’, do Aerosmith, são tocadas com bend em uníssono, por exemplo. Confira no vídeo abaixo. Muito legal!

Bend duplo

Como sugere o nome, o bend duplo ocorre quando o guitarrista dá bends em duas notas ao mesmo tempo. Logicamente, as notas devem estar em cordas diferentes. É uma técnica muito presente no rock, blues e country, cuja sonoridade enriquece qualquer solo ou improvisação musical.

Um bom exemplo de bend duplo está presente na famosa canção Rock ‘N’ Roll Star, do Oasis. No vídeo a seguir, repare na guitarra-solo logo depois que a bateria e o baixo começam a tocar (trecho de 0:14 a 0:21) – esse lick é feito com bend duplo. Animal o som, né?

Bends misturados com outras técnicas

Depois que você dominar os principais tipos de bends explicados acima, experimente misturá-los com outras técnicas. Não há regra, o céu é o limite! Por exemplo, é possível fazer um vibrato ao mesmo tempo em que você levanta o bend.

Definitivamente, essa combinação de técnicas dá um efeito agressivo e “nervoso” a qualquer solo, tanto é que é usada por muitos guitarristas renomados. Do mesmo modo, experimente executar um slide e logo depois emendar um bend – esse é um dos segredos do fraseado de Mateus Asato, como ocorre neste vídeo:

Enfim, futura lenda da guitarra, quando estamos falando de música e expressão, não há limites para a criatividade!

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Por hoje, é só. Um abraço e muitos bends!