Ditado Sertanejo

João Carreiro e Capataz

No lugar que canta galo, decerto que mora gente
Que é muito bonito é lindo, que muito feio é indecente
A água parada é poço, riacho é água corrente
Toda briga de muié, o que faz é língua quente


Onde tem moça bonita, decerto que tem namoro
Onde tem muié baixinha, tem relia e desaforo
Mistura sogra com nora, pode ver que ali sai choro
Na vila que tem polícia, banho de pau d'água é couro


Amor de mulher rusguenta, catinga jaratataca
Doença do rico é gripe, doença do pobre é ressaca
Dança de rico é baile, dança do pobre é fuzarca
O rico educa na escola e o pobre educa no tapa


O que agrada moça é carinho, o que agrada véio é café
O homem que fala fino, não é homem nem mulher
A mulher que fala grosso, ninguém não sabe o que é
O lar que não crer em Deus, quem domina é o Lúcifer


O que faz sapo pular, tem que ser necessidade
Pessoas que falam muito, nem todos diz a verdade
Com o tempo a flor perde a cor, e nóis perde a mocidade
O janeiro traz velhice, e a velhice traz saudades

Composição: Colaboração e revisão: jose souza

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