Cantores de samba que marcaram seu nome na história

Por Rafael Iamonti

O samba como conhecemos hoje foi influenciado por diferentes ritmos e tradições musicais, passando por mudanças ao longo do tempo. Muitos cantores de samba foram essenciais para consolidar, quebrar paradigmas e popularizar o gênero. Mesmo sendo um dos ritmos mais populares do Brasil, foi reprimido e marginalizado em sua origem.

Adoniran Barbosa está entre os cantores de samba mais importantes da história
O icônico Adoniran Barbosa sempre será um dos eternos bambas do samba (Foto/Arquivo)

A história do samba se mistura com a história do Brasil. Com origem na cultura africana, o gênero foi influenciado por ritmos como o lundu e maxixe. Além disso, o papel das mulheres, como Tia Ciata, foi muito importante para a origem do samba atual. Em suas casas aconteciam rodas de sambas frequentemente, na época a cultura negra era fortemente perseguida e muitos sambistas eram presos apenas por portar instrumentos. 

Neste artigo vamos falar um pouco dos artistas que participaram da afirmação do samba como parte da identidade do brasileiro e foram fundamentais para a ascensão do ritmo.

9 cantores de samba mais importantes da velha guarda

Se você quer conhecer um pouco mais da história do samba e das pessoas que foram essenciais para que ele chegasse ao patamar de patrimônio cultural brasileiro, aqui vai uma lista de grandes cantores e cantoras.

Noel Rosa

Nascido no Rio de Janeiro em 1910, Noel Rosa teve uma vida curta, mas deixou um legado enorme para o samba. Autor de mais de 200 obras, marcou a música brasileira com canções como Feitiço da Vila e Com Que Roupa.

Grande compositor, as músicas de Noel Rosa levavam uma boa dose de humor e crítica à sociedade da época, como Filosofia e Conversa de Botequim. Morreu aos 26 anos, em decorrência da tuberculose, mas sua obra permanece viva. Recentemente, foi homenageado pela cantora Teresa Cristina em um álbum ao vivo.

Cartola

Agenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, teve seus primeiros contatos com o samba ainda muito novo, quando se mudou para o morro de Mangueira. Ao lado de outros sambistas, foi responsável pela fundação da Estação Primeira de Mangueira, que desfilou pela primeira vez com um samba de sua autoria. Lançou seu primeiro álbum apenas em 1974, após se reerguer e tornar-se uma grande influência cultural no Rio de Janeiro.

Na videoaula abaixo você pode aprender As rosas não falam, uma das músicas que marcaram o ressurgimento do cantor e compositor:

Clementina de Jesus

Conhecida como Rainha Quelé, Clementina de Jesus foi uma das mais importantes cantoras de samba. Sua obra teve papel essencial para o resgate da memória cultural afro-brasileira. Além de sambas, gravou jongos e cantos de trabalho.

Trabalhou como empregada doméstica por mais de 20 anos, quando o seu tom de voz marcante chamou atenção de um dos maiores compositores cariocas, Hermínio Bello de Carvalho. Gravou seu primeiro disco em 1966 e no mesmo ano representou o Brasil no Festival Mundial de Arte Negra, no Senegal. 

Ivone Lara

Mais conhecida como Dona Ivone Lara, foi uma das pioneiras como compositora e intérprete. Primeira mulher a integrar a ala de compositores da escola de samba Império Serrano, compôs sambas marcantes como, Sorriso Negro e Alguém me avisou. Além disso, com Silas de Oliveira e Bacalhau, é autora de um dos mais belos sambas-enredo da história, Os Cinco Bailes da História do Rio, que comemora os 400 anos da cidade.

Antes de se dedicar exclusivamente ao samba, teve papel importante na reformulação do tratamento psiquiátrico no Brasil, ao lado da médica Nise da Silveira.

Adoniran Barbosa

Nome artístico de João Rubinato, Adoniran Barbosa é um dos grandes cantores de samba de São Paulo. Nas batidas do grupo Demônios da Garoa, Adoniran marcou gerações com canções como Trem das Onze, que você pode aprender a tocar aqui:

Cantor, compositor, ator e humorista, ganhou diversos prêmios pelo seu trabalho no rádio e atuou em diversos filmes. Foi gravado por vozes marcantes da MPB, como Elis Regina, Clara Nunes, Gal Costa, bem como por artistas estrangeiros.

Jovelina Pérola Negra

Jovelina Faria Belfort, Peróla Negra pela cor retinta de sua pele, soube representar muito bem o legado das vozes femininas do samba. Começou a ser notada nos pagodes de Tia Doca, sambista e pastora da Portela, gravando seu primeiro álbum aos 40 anos.

Grande partideira, estilo de samba baseado na improvisação de versos após um refrão, foi uma das pioneiras no que viria ser conhecido como pagode. Além disso, Sorriso Aberto e Luz do Repente marcaram a obra da cantora, que ao todo gravou cinco álbuns.

Martinho da Vila

Martinho da Vila está entre os melhores cantores de samba, lançando seu primeiro sucesso, Casa de Bamba, em 1968. Seu primeiro álbum viria no ano seguinte e trouxe músicas que marcam a carreira do cantor, como Quem é do Mar Não Enjoa. Algumas de suas músicas têm fortes influências do maxixe.

Assinou vários sambas da escola de samba Unidos de Vila Isabel, com grande destaque para Kizomba, Festa da Raça, que garantiu o título do carnaval carioca em 1988.

Paulinho da Viola

Violonista, cavaquinista, compositor, bandolinista e cantor, Paulinho da Viola é conhecido pela complexidade de suas harmonias e sua voz agradável. Filho do violonista César Faria, teve a oportunidade de conviver com grandes nomes do choro, como Pixinguinha.

A música 14 Anos relata que seu pai não queria que o filho seguisse seus passos. Porém, conseguiu convencê-lo a lhe dar um violão, que aprendeu a tocar sozinho. Além de grandes composições, como Foi um Rio Que Passou em Minha Vida, também lançou o álbum Memórias Chorando, tocando apenas choros. 

Beth Carvalho

Mesmo iniciando a carreira cantando bossa nova, Beth Carvalho teve grande destaque no samba. Conhecida como “Madrinha”, foi responsável por incentivar a carreira de outros nomes relevantes, como Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e o Grupo Fundo de Quintal. Também resgatou a obra de Nelson Cavaquinho.

Lançou 33 discos em seus mais de cinquenta anos de carreira, entre seus maiores sucessos estão Andança e Vou Festejar.

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