Melhores cifras de músicas de Gilberto Gil pra você aprender a tocar

Por Izabela Ventura

As cifras das músicas de Gilberto Gil fazem parte do cotidiano de quem toca violão. Personagem importantíssimo da MPB e, certamente, da cultura nacional, Gil foi um dos mentores do movimento Tropicalista. Isso foi na década de 1960. Mas, desde então, esse baiano arretado vem ajudando a inovar e a renovar a música brasileira.

Gilberto Gil tocando violão
Gilberto Gil + banquinho + violão = equação mágica do cancioneiro da MPB (Foto/Bibiana Reis)

Transitando entre vários ritmos com naturalidade, Gil transforma em música esta mistura que é nosso país. Dessa forma, junta samba baiano com baião, reggae, rock, fox e afoxé. Sorte a nossa ter um multiartista desse naipe, não é mesmo?

Por essas e outras, nada mais justo do que listarmos as melhores cifras de músicas de Gilberto Gil para tocar no violão ou na guitarra. Bora formar um repertório visionário, romântico e poético?

9 cifras de músicas de Gilberto Gil

Sem dúvida, a maioria das músicas de Gilberto Gil exige um pouco de destreza nos instrumentos. Também pudera, o baiano conduz uma riqueza musical tamanha que, às vezes, é difícil acompanhar. No entanto, com treinos e as dicas certas, você consegue chegar bem perto da habilidade desse que é um dos ícones da MPB.

Neste post, vamos explicar, tim-tim por tim-tim, como tocar algumas das melhores músicas do Gilberto Gil, em violão ou guitarra. Temos algumas videoaulas de versões simplificadas. Mas, pra quem quer se aproximar ao máximo da perfeição dos dedilhados do Gil, recomendamos as completas. Vamos lá?

Esperando na Janela

Bora começar com um forrozinho básico? Esperando na Janela estourou na voz de Gilberto Gil no filme Eu, Tu, Eles.

Primeiramente, a versão original da música não tem violão. Então, o que podemos fazer é adaptar o som da sanfona/acordeon às cordas. Temos um solo simples no começo, meio e fim. E, para preencher o som, o ideal é contar com acompanhamento de um violão-base.

Tirando os solos, a música tem duas levadas diferentes, alternando dedilhado e rasqueado. Agora, se quiser tocar de forma simplificada, é só cortar os solos e manter o rasqueado com levada de reggae.

Veja como tocar a versão completa:

Eu Só Quero um Xodó

Antes de tudo, saiba que, sim, essa cifra é complexa. Mas, para aliviar um pouco, a gente tem uma videoaula da versão simplificada de Eu Só Quero um Xodó. A composição é de Dominguinhos, porém, caiu como uma luva para o Gil, não é?

A parte que exige mais destreza é a introdução, pois é preciso agilidade na troca de acordes no dedilhado. Portanto, a dica é treinar cada acorde separadamente, a fim de “cravar” cada um.

Na intro, há três acordes: F7(9), C7(13) e Bb7(13). Na cifra, eles são tocados alternando o dedilhado com batidas. Além disso, tem death notes (com símbolo “x”, significa tocar a corda abafada, sem encostar nos trastes) e vibrato (símbolo “~” para arrastar as cordas para um som trêmulo).

Para o resto da música, o segredo é fazer a levada bem solta e, em alguns trechos, improvisar.

Não Chore Mais (No Woman No Cry)

Agora, vamos partir para o reggae, nesta versão de No Woman No Cry. Ela ficou famosa com Bob Marley e, depois, virou Não Chore Mais, com o Gil.

A música tem 8 acordes e o ritmo tem duas variações: dedilhado e levada de reggae. O tom original é C (Dó maior), mas, se for difícil alcançar notas muito agudas, a dica é baixar o tom até ficar confortável pra sua voz. Tanto na versão completa, quanto na videoaula simplificada de No Woman No Cry, escolhemos o A (Lá maior), que é um tom e meio abaixo:

Vamos Fugir – entre as mais fáceis cifras de músicas de Gilberto Gil

Continuamos, então, com a pegada reggae em Vamos Fugir. Essa canção foi composta pelo Gil e o Liminha, mas também virou hit com o Skank.

Desta vez, a palheta será um acessório interessante para um rasqueado mais firme, preciso e, sobretudo, com som mais aberto. Finalmente, temos uma cifra de música do Gilberto Gil mais fácil pra iniciantes, pois são apenas 5 acordes (1 com pestana). Além disso, há, praticamente, 1 acorde por verso, dando mais tempo para as trocas.

Temos a videoaula completa de Vamos Fugir na versão do Skank. Acompanhe:

A Novidade

Por fim, fechando a regueira, temos A Novidade, uma parceria na mosca com Os Paralamas.

A princípio, o ritmo do reggae é bem tranquilo de levar, sendo, praticamente, um par de movimento “baixo/cima” básico por toda a música. No entanto, você pode improvisar de vez em quando e deixar a mão direita seguir o fluxo da melodia.

O segredo, porém, está na batida. Cada acorde é tocado uma vez, mas é dividido por uma batida abafada. Para isso, faça 1 “baixo/cima”. Logo depois, prenda e toque as cordas sem encostar nos trastes. Em seguida, prossiga com a batida na mão direita.

Neste vídeo oficial, você o vê fazendo essas batidas na guitarra, usando também os improvisos:

Back In Bahia

Agora, uma canção com um quê político. Back in Bahia foi composta no primeiro verão de Gil na Bahia depois de voltar do exílio em Londres.

São, apenas, três acordes simples: A7, D7, E7. E são feitos na mesma região do braço, facilitando as trocas. Da mesma forma, o dedilhado é fácil, com os baixos, respectivamente, nas cordas A, D, E. Além disso, o ritmo não muda, permitindo, porém, um improviso entre as estrofes.

Veja como a simplicidade dá o tom desta versão de Gil e Caetano:

Esotérico – enigma entre as cifras de músicas de Gilberto Gil

Até mesmo Gil tem dificuldade de explicar de onde vem o ritmo de Esotérico. Talvez, seja uma espécie de toada com foxtrot. Portanto, o negócio é sentir a melodia.

Para dar o grande toque de charme dela, forme os acordes de modo a deixar o indicador livre. Assim, ele cumpre a função de desenhar as frases do baixo enquanto você dedilha.

Desta vez, quem faz a videoaula é o mestre:

Andar com Fé

A música Andar com Fé tem uma levada bem gingada, tal qual um samba baiano. Tanto que, em algumas versões, ele grava com acompanhamento de pandeiros.

A frase rítmica no dedilhado tem dois pares de toques (polegar + indicador). Pra dar mais gingado, alterne com rasqueados fortes e marcados.

Aquele Abraço

Pra fechar, vamos de Aquele Abraço, cuja inspiração veio quando Gil deixou a prisão, no período militar.

A levada também é constante e de samba. O ponto de atenção, porém, fica nos breaks, que exigem uma transição rápida de acordes. Nesta versão, no entanto, Gil elimina essa troca e simplesmente abafa o som, tendo, como resultado, mais suspense:

Aprenda a tocar com as cifras de músicas do Gilberto Gil

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