O que é trilha sonora e qual o papel dela no audiovisual?

Por Bella Souza

Hoje, a gente te convida para uma viagem exploratória sobre o que é trilha sonora!

Todo mundo já chorou copiosamente ou teve uma reação intensa no cinema, no teatro ou na frente da TV. A arte tem mesmo esse poder de conexão e/ou despertamento de emoções. Contudo, você já parou para pensar em como as trilhas atuam na produção dessas reações?

O compositor Hans Zimmer em stúdio trabalhando em trilhas sonoras
Hans Zimmer é referência incontestável no universo das trilhas sonoras (Foto/Divulgação)

Um roteiro rebuscado, uma interpretação arrasadora, uma direção de tirar o fôlego e, finalmente, uma trilha sonora que não te deixa esquecer aquela exata sensação. Esse último elemento é o nosso personagem principal hoje.

Afinal, o que é trilha sonora?

Denomina-se trilha sonora o conjunto de sons que acompanham e atribuem significado a uma obra. E quando falamos de “sons”, incluímos quaisquer elementos audíveis como, por exemplo, barulhos de tiros, ruídos da chuva, etc.

Sendo assim, efeitos, diálogos e sons ambientes também fazem parte da trilha. Todos os sons e ruídos que constroem a tensão de uma cena de suspense ou a música lenta de uma história melancólica são trilha sonora.

Pode-se dizer que o conceito nasceu com o cinema. Na época do cinema mudo, pianistas ou mais músicos costumavam acompanhar sessões com o objetivo de intensificar momentos fundamentais da telona. Com o passar dos anos, as trilhas passaram a ser indispensáveis nas produções audiovisuais.

É fácil existir uma confusão entre os termos trilha sonora e trilha musical. Esse segundo diz respeito somente ao compilado de músicas da obra, ou seja, é “setor” do conjunto sonoro. Assim, sendo a parte mais popularmente compreendida da trilha, é natural que exista maior atenção na forma como a música atua na produção.

Qual é a função da trilha sonora?

Em poucas palavras, a trilha atua na intensificação de sentido da narrativa. O som tem o papel de estimular um dos nossos principais receptores sensoriais: a audição. Então, pode-se dizer que sua função prática é a produção de sentido sonoro para a obra. Mas é claro que não para por aí!

Você sabia que ela também tem o papel de produzir reações além da audição? A sua combinação com outros elementos narrativos constroem todo um universo de experiências sinestésicas, podendo transformar uma simples cena em um evento extraordinário.

Resumidamente, o som pode te despertar a memória de um cheiro, uma cor ou uma forma, por exemplo. Incrível, não é?

Portanto, não se cria uma experiência épica sem uma trilha sonora à altura, que seja condizente com a história contada. Exceto em Star Wars: The Last Jedi, onde o silêncio foi escolhido para comunicar uma cena importante e isso acabou gerando um estranhamento dos espectadores.

Qual a diferença entre música e trilha?

Uma música se torna uma trilha sonora quando aplicada a um filme, novela, ou qualquer outra produção audiovisual. Melhor dizendo, ela se torna uma trilha musical, como já vimos.

Um fato curioso é a criação de músicas com influência em obras audiovisuais, mas que não entram para a parte sonora da produção. Game Of Thrones e o heavy metal têm muito a dizer sobre isso, afinal, não se escolhe de onde a inspiração aparece.

Qualquer compositor e/ou produtor musical está apto a atuar com trilhas musicais, ou sonoras. Nesse sentido, o ideal é que esse profissional esteja alinhado ao estilo da obra, assim como é Hans Zimmer e a ficção de Christopher Nolan, bem como era Ennio Morricone com produções de western.

As diferenças entre trilha artística e trilha comercial

A diferença está no seu objetivo final. Dessa forma, a composição da trilha artística busca a reflexão intensa sobre o significado da cena, ela trata da expansão da narrativa. Já a trilha comercial trabalha de forma mais superficial, procurando apenas dar andamento ou transmitir o humor da cena.

É normal que filmes mais comerciais busquem trilhas sonoras mais figurativas. Da mesma forma, filmes conceituais procuram embutir significado em cada detalhe sonoro, principalmente na escolha das músicas.

Repare que, ao longo dos últimos anos, as músicas-tema da franquia 007 são produzidas com a pegada de “música de orquestra”. Assim, há um cuidado narrativo e conceitual por trás, mas também um olhar comercial ao convocar sempre artistas que estão em alta. Abaixo, você confere a colaboração de Billie Eilish para No Time To Die, a mais recente aparição de James Bond.

Como é construída a trilha sonora?

O processo de composição de uma trilha envolve toda uma lista de profissionais. Desde diretor e roteirista até supervisor, editor, compositor, sonoplasta e muitos outros. Dá pra entender bem o tamanho dos créditos no final dos filmes!

A sua construção começa em cima da reflexão do roteiro. Em suma, é um processo de pura criatividade e também de escolhas técnicas inteligentes e estratégicas. O imprescindível é que os profissionais envolvidos não percam vista dos significados, afinal, a conexão com a narrativa é a razão da trilha existir.

Quer entrar no mundo das trilhas e não sabe por onde começar? Ouça o trabalho de Hans Zimmer nas plataformas digitais. Se emocione com Time (Inception, 2010) ou confira as recentes composições para o filme Dune (2021).

Caso queira estudar mais sobre o que é trilha sonora ou se profissionalizar na área, existem cursos voltados para esse tipo de produção.

Curtiu explorar o fantástico universo das trilhas? Compartilhe o texto com os amigos e marque uma maratona para rever seus filmes favoritos com esses novos olhos (ou ouvidos!).